Violator e a maturidade sonora do Depeche Mode”

Lançado em 19 de março de 1990, Violator apresentou ao público faixas como “Personal Jesus”, “Enjoy the Silence”, “Policy of Truth” e “World in My Eyes”, consolidando-se como um marco decisivo na trajetória do Depeche Mode. O álbum ampliou o alcance estético da banda e estabeleceu um novo patamar de reconhecimento internacional.

Gravado entre 1989 e 1990, Violator foi produzido por Flood em parceria com o próprio grupo. As sessões aprofundaram uma estética com foco deliberado na economia de elementos e na atenção rigorosa à textura eletrônica. Esse método resultou em um disco que equilibra introspecção, sensualidade e tensão emocional, evitando soluções grandiloquentes.

Violator sucede Music for the Masses e representa o amadurecimento de uma trajetória iniciada no synth-pop dos anos 1980. Se o álbum anterior havia ampliado o alcance do Depeche Mode, foi Violator que fixou sua identidade em um território híbrido, cruzando música eletrônica, rock alternativo e um tom deliberadamente sombrio. O disco também antecipa mudanças que seriam aprofundadas nos lançamentos seguintes da banda.

O campo expressivo de Violator redefine a relação entre canção eletrônica e música pop, abrindo espaço para diálogos mais amplos também com o rock alternativo. “Enjoy the Silence” combina programação rítmica contida e a voz grave de Dave Gahan em uma melodia construída por progressão gradual. “Personal Jesus” articula guitarra e batida dançante. “Policy of Truth” sustenta sua força em um baixo hipnótico que cria atmosfera de tensão moral. Já “World in My Eyes” estabelece o tom do álbum com teclados etéreos.

Elastica: quando o britpop ecoa o post-punk

Há trinta anos, em março de 1995, o Elastica lançava seu álbum de estreia homônimo, que rapidamente alcançou o topo das paradas britânicas. O disco estabeleceu, à época, o recorde de estreia com vendas mais rápidas no Reino Unido, superando Definitely Maybe, do Oasis.

Formado por Justine Frischmann, Justin Welch, Annie Holland e Donna Matthews, o Elastica emergiu em um cenário marcado pela retomada da música britânica nos anos 1990. O grupo se destacou ao combinar a secura rítmica e o post-punk de bandas como Wire e The Stranglers com urgência pop e letras diretas. Singles como “Connection”, “Line Up”, “Stutter”, “Waking Up” e “Car Song” foram decisivos para a projeção da banda, com “Connection” alcançando também circulação expressiva nos Estados Unidos.

As canções do disco Elastica operam em um campo expressivo de confronto direto, com riffs minimalistas e vocais quase falados, reforçando sensação de urgência. O álbum foi indicado ao Mercury Music Prize e figura recorrentemente em listas dos melhores discos dos anos 1990.

A pedra bruta do Daft Punk: 20 anos de “Human After All”

Lançado em 14 de março de 2005, Human After All marca uma inflexão no percurso do Daft Punk. Terceiro álbum de estúdio da dupla francesa, o disco se afasta da exuberância disco e do house de Discovery (2001), adotando uma abordagem mais direta.

Gravado em cerca de seis semanas, entre setembro e novembro de 2004, Human After All foi produzido a partir de um conjunto reduzido de equipamentos. Thomas Bangalter e Guy-Manuel de Homem-Christo trabalharam com guitarras, programação rítmica eletrônica, vocoder e gravação em oito canais, buscando uma sonoridade propositalmente crua. Em entrevistas da época, Bangalter comparou o álbum a “uma pedra não trabalhada” e afirmou que o trabalho tratava de medo, paranoia e alienação, afastando-se da função escapista associada à música de pista.

Os singles “Robot Rock” e “Technologic” apresentaram esse direcionamento com riffs insistentes e estruturas enxutas, enquanto “Human After All” e “The Prime Time of Your Life” circularam de forma mais restrita. O álbum alcançou o primeiro lugar na Billboard Dance/Electronic Albums, confirmando sua presença no circuito eletrônico internacional.

Com o passar do tempo, Human After All passou a ser relido a partir de seu uso extensivo na turnê Alive 2006/2007. No contexto ao vivo, as faixas funcionaram como matéria-prima para recombinações e sobreposições, revelando o potencial do material.

Faith No More: Álbum “King for a Day… Fool for a Lifetime” completa 30 anos

Há 30 anos, o Faith No More lançava King for a Day… Fool for a Lifetime, seu quinto álbum de estúdio. O disco contém faixas como “Digging the Grave”, “Evidence”, “Ricochet” e “Just a Man”, e marcou um novo capítulo na trajetória do grupo ao aprofundar a combinação pouco ortodoxa de estilos que já definia sua identidade.

Gravado após a saída do guitarrista Jim Martin, King for a Day… Fool for a Lifetime foi produzido por Andy Wallace e refletiu uma reorganização interna da banda. O disco sucede Angel Dust, álbum que consolidou sucesso radiofônico e a reputação da banda como força imprevisível no rock alternativo. King for a Day… Fool for a Lifetime amplia esse gesto ao fragmentar ainda mais sua linguagem.

No disco, o Faith No More aposta nos contrastes. “Digging the Grave” apresenta agressividade direta, enquanto “Evidence” se aproxima do soul e do jazz. “Ricochet” articula tensão rítmica e melodia, ao passo que “Just a Man” encerra o álbum com tom quase confessional. Essa alternância constante mostra que a banda não busca coesão tradicional, mas uma lógica de colisão entre gêneros.

‘Here We Go Crazy’, a urgência de Bob Mould

Lançado ontem, Here We Go Crazy marca o retorno de Bob Mould aos estúdios após um hiato de cinco anos desde Blue Hearts (2020). Décimo quinto álbum de sua carreira solo, o trabalho reafirma a parceria com o baixista Jason Narducy e o baterista Jon Wurster.

O disco se distancia da tensão política explícita de seu antecessor para focar em um “guitar pop” conciso e melódico. A faixa-título e o single “Neanderthal” exemplificam essa abordagem, comprimindo em poucos minutos a assinatura do ex-Hüsker Dü.

Em Here We Go Crazy, Mould não tenta reinventar a roda, mas sim provar que ela ainda gira com força. Ao apostar em arranjos diretos e evitar excessos de produção, o álbum entrega uma coleção de faixas que celebra a persistência do rock alternativo.

The Bends: Radiohead em transição

Lançado em 13 de março de 1995, The Bends afirmou o Radiohead como uma das vozes mais relevantes do rock alternativo dos anos 1990. Segundo álbum da banda, o disco marcou uma guinada clara em relação à estreia Pablo Honey, ao aprofundar a complexidade lírica e investir em arranjos mais elaborados.

Produzido por John Leckie, com Nigel Godrich atuando na engenharia de som, The Bends foi gravado sob forte pressão. A gravadora esperava que o grupo repetisse o sucesso de “Creep”, enquanto a própria banda lidava com o desgaste da exposição precoce.

Lançado no auge do britpop, The Bends se distancia deliberadamente da cena dominante. Enquanto boa parte das bandas britânicas apostava em referências nostálgicas, o Radiohead construiu uma identidade própria, mais introspectiva e menos celebratória. O álbum sucede Pablo Honey e antecipa mudanças que seriam aprofundadas em OK Computer (1997), funcionando como etapa decisiva nesse processo de amadurecimento.

The Bends equilibra melancolia e tensão, como sinalizam os singles do disco. “High and Dry” articula melodia pop acessível com sensação de isolamento emocional. “Fake Plastic Trees” explora vulnerabilidade com contenção deliberada, enquanto “Just” e “My Iron Lung” articulam energia, dissonância e crítica. “Street Spirit (Fade Out)” encerra o álbum com tom quase fatalista, sustentado por repetição hipnótica e lirismo sombrio.

R.E.M.: Admiração e amizade para toda a vida

R.E.M. é uma daquelas bandas que eu admiro no palco e nos bastidores. Eles construíram uma história tão admirável quanto a discografia deles. Para comemorar a inclusão do grupo no Songwriters Hall of Fame, a formação original se juntou após 30 anos. Durante a entrevista, o vocalista Michael Stipe afirmou: “Estamos aqui para contar a história, sentados juntos na mesma mesa, com profunda admiração e amizade para toda a vida.”

Melancolia atemporal: O legado de “Fade into You”

Em abril de 1994, o Mazzy Star lançava single ‘Fade into You’, faixa que se tornaria a assinatura definitiva da banda. Embora o álbum So Tonight That I Might See tenha saído em 1993, foi o sucesso desta canção que rompeu a bolha do underground, levando a estética dream pop às paradas da Billboard.

Com uma instrumentação minimalista e a voz inconfundível de Hope Sandoval, a música equilibra melancolia e sedução, garantindo seu lugar como um dos hinos mais duradouros da década de 90.

2+2=5 [O show do Radiohead em São Paulo]

Contemplação, segundo o Houaiss, é a concentração prolongada da atenção e a reflexão profunda. A palavra cai bem para descrever a estreia do Radiohead em São Paulo, show que encerrou anos de espera e especulação sobre quando a banda finalmente tocaria por aqui.

O que se viu no palco foi uma banda confortável, sem pressa. Thom Yorke dançava com aqueles movimentos esquisitos de sempre, conversava com a plateia para escolher músicas do bis, apresentava os integrantes de forma casual — “This is Jonny… “. Nada muito elaborado, mas funcionou para quebrar a solenidade que costuma cercar shows desse porte.

Como Los Hermanos, que abriu o Just a Fest, o Radiohead dispensa hits de rádio para manter sua base de fãs. Clássicos como Just, Airbag e No Surprises ficaram de fora do repertório, mas havia material suficiente: There There, Karma Police, Paranoid Android, Fake Plastic Trees. Quase duas horas e meia alternando faixas mais intensas com momentos de respiro.

O detalhe foi o terceiro bis. Depois de dois retornos ao palco, quando tudo parecia resolvido, eles voltaram de novo. A plateia entendeu o recado: a banda também não queria que aquela noite terminasse.

Ok Computer: pague quanto quiser pelo próximo disco do Radiohead

Se há dez anos o Radiohead dizia Ok para os computadores, agora a banda quer provar que os computadores venceram. Seu sétimo disco, “In Rainbows”, sai na semana que vem (10/10). E você decide em que formato quer adquiri-lo. Acima de tudo, decide também o quanto quer pagar. Ou mesmo se quer pagar algum valor. 

Para comprá-lo, é só visitar o site www.inrainbows.com/Store. Há duas opções: arquivo digital ou disco físico.

Ao optar por baixar o álbum, o fã indica qualquer cifra. O site não estipula valor mínimo ou máximo. No dia 10, será possível fazer o download das dez faixas do álbum.

No formato físico, o fã pagará cerca de R$ 150 (já incluso o envio). Além do álbum com dez faixas, você também recebe outro disco com oito faixas inéditas.