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  • The Bends: Radiohead em transição

    3/3/2025

    Lançado em 13 de março de 1995, The Bends afirmou o Radiohead como uma das vozes mais relevantes do rock alternativo dos anos 1990. Segundo álbum da banda, o disco marcou uma guinada clara em relação à estreia Pablo Honey, ao aprofundar a complexidade lírica e investir em arranjos mais elaborados.

    Produzido por John Leckie, com Nigel Godrich atuando na engenharia de som, The Bends foi gravado sob forte pressão. A gravadora esperava que o grupo repetisse o sucesso de “Creep”, enquanto a própria banda lidava com o desgaste da exposição precoce.

    Lançado no auge do britpop, The Bends se distancia deliberadamente da cena dominante. Enquanto boa parte das bandas britânicas apostava em referências nostálgicas, o Radiohead construiu uma identidade própria, mais introspectiva e menos celebratória. O álbum sucede Pablo Honey e antecipa mudanças que seriam aprofundadas em OK Computer (1997), funcionando como etapa decisiva nesse processo de amadurecimento.

    The Bends equilibra melancolia e tensão, como sinalizam os singles do disco. “High and Dry” articula melodia pop acessível com sensação de isolamento emocional. “Fake Plastic Trees” explora vulnerabilidade com contenção deliberada, enquanto “Just” e “My Iron Lung” articulam energia, dissonância e crítica. “Street Spirit (Fade Out)” encerra o álbum com tom quase fatalista, sustentado por repetição hipnótica e lirismo sombrio.

  • R.E.M.: Admiração e amizade para toda a vida

    29/7/2024

    R.E.M. é uma daquelas bandas que eu admiro no palco e nos bastidores. Eles construíram uma história tão admirável quanto a discografia deles. Para comemorar a inclusão do grupo no Songwriters Hall of Fame, a formação original se juntou após 30 anos. Durante a entrevista, o vocalista Michael Stipe afirmou: “Estamos aqui para contar a história, sentados juntos na mesma mesa, com profunda admiração e amizade para toda a vida.”

  • Melancolia atemporal: O legado de “Fade into You”

    13/3/2024

    Em abril de 1994, o Mazzy Star lançava single ‘Fade into You’, faixa que se tornaria a assinatura definitiva da banda. Embora o álbum So Tonight That I Might See tenha saído em 1993, foi o sucesso desta canção que rompeu a bolha do underground, levando a estética dream pop às paradas da Billboard.

    Com uma instrumentação minimalista e a voz inconfundível de Hope Sandoval, a música equilibra melancolia e sedução, garantindo seu lugar como um dos hinos mais duradouros da década de 90.

  • 2+2=5 [O show do Radiohead em São Paulo]

    30/3/2009

    Contemplação, segundo o Houaiss, é a concentração prolongada da atenção e a reflexão profunda. A palavra cai bem para descrever a estreia do Radiohead em São Paulo, show que encerrou anos de espera e especulação sobre quando a banda finalmente tocaria por aqui.

    O que se viu no palco foi uma banda confortável, sem pressa. Thom Yorke dançava com aqueles movimentos esquisitos de sempre, conversava com a plateia para escolher músicas do bis, apresentava os integrantes de forma casual — “This is Jonny… “. Nada muito elaborado, mas funcionou para quebrar a solenidade que costuma cercar shows desse porte.

    Como Los Hermanos, que abriu o Just a Fest, o Radiohead dispensa hits de rádio para manter sua base de fãs. Clássicos como Just, Airbag e No Surprises ficaram de fora do repertório, mas havia material suficiente: There There, Karma Police, Paranoid Android, Fake Plastic Trees. Quase duas horas e meia alternando faixas mais intensas com momentos de respiro.

    O detalhe foi o terceiro bis. Depois de dois retornos ao palco, quando tudo parecia resolvido, eles voltaram de novo. A plateia entendeu o recado: a banda também não queria que aquela noite terminasse.

  • Ok Computer: pague quanto quiser pelo próximo disco do Radiohead

    2/10/2007

    Se há dez anos o Radiohead dizia Ok para os computadores, agora a banda quer provar que os computadores venceram. Seu sétimo disco, “In Rainbows”, sai na semana que vem (10/10). E você decide em que formato quer adquiri-lo. Acima de tudo, decide também o quanto quer pagar. Ou mesmo se quer pagar algum valor. 

    Para comprá-lo, é só visitar o site www.inrainbows.com/Store. Há duas opções: arquivo digital ou disco físico.

    Ao optar por baixar o álbum, o fã indica qualquer cifra. O site não estipula valor mínimo ou máximo. No dia 10, será possível fazer o download das dez faixas do álbum.

    No formato físico, o fã pagará cerca de R$ 150 (já incluso o envio). Além do álbum com dez faixas, você também recebe outro disco com oito faixas inéditas.

  • Céu expande a música brasileira

    5/5/2007

    A cantora brasileira Céu vem ganhando destaque nos Estados Unidos, cantando em português. Seu álbum de estreia, “Céu”, permanece há três semanas entre os discos mais vendidos do país, de acordo com a Billboard. Na parada World da mesma revista, o álbum já alcançou o primeiro lugar. Em apenas duas semanas, cerca de 20 mil cópias foram vendidas.

    O disco apresenta uma fusão de ritmos contemporâneos com elementos do samba tradicional e recebeu boa avaliação da crítica internacional. Além de ter sido lançado também na França, o trabalho rendeu à artista uma indicação ao Grammy Latino, na categoria artista revelação, no ano passado, além de turnês no Canadá e na França.

    A trajetória do álbum acompanha um movimento mais amplo do mercado musical, no qual redes como a Starbucks passaram a comercializar discos e livros com forte impacto nas vendas, chegando em alguns casos a representar um terço do total. Artistas como Alanis Morissette e Paul McCartney já utilizaram a rede para distribuir novos trabalhos.

    Lançado originalmente no início do ano passado pelo selo Ambulante Discos, o álbum “Céu” ganhou nova edição no Brasil em setembro do mesmo ano, distribuída pela Warner.

  • As canções dos fins-de-semana

    29/12/2005

    De tempos em tempos surge uma música que nos leva para a pista de dança quase sem perceber. Nas últimas décadas, faixas como Groove is in the Heart, do Deee-Lite, Hey Ya, do Outkast, e Move Your Feet, do Junior Senior, tornaram-se clássicos imediatos. Essas canções têm o poder de nos colocar em movimento. Elas iniciam uma festa. Dentro de nós.

    O The Go! Team, com o álbum de estreia Thunder, Lightning, Strike, entra nesse mesmo território. O disco apresenta um som energético e diverso, que combina indie rock, hip hop e funk em arranjos vibrantes. Faixas como Ladyflash, Junior Kickstart e Bottle Rocket funcionam como convites diretos à dança, enquanto composições instrumentais como Feelgood by Numbers e Huddle Formation mantêm o ritmo e a sensação de movimento.

    A recepção crítica acompanhou esse entusiasmo. O grupo foi indicado ao Mercury Prize, prêmio que reconhece o melhor álbum do Reino Unido e da Irlanda. O vencedor foi Antony and the Johnsons, com I Am a Bird Now, mas a indicação consolidou o reconhecimento artístico do The Go! Team.

    Se você busca uma trilha sonora para suas noites em claro, The Go! Team é a pedida certa. Prepare-se para se jogar na dança, mesmo que seja só no chuveiro!

  • Um show

    6/12/2005

    Dez anos de paixão diária. Na época em que a internet não dominava, ser fã exigia uma busca real: garimpar sebos no centro da cidade atrás de revistas antigas era o ritual de quem queria se aprofundar no universo dos ídolos.

    Visto de fora, parece só empolgação adolescente. Mas é algo único. Nada se compara à energia de um show de rock, estar rodeado por pessoas que vibram na mesma sintonia.

    Lá, tudo ganha vida: as frases repetidas em coro, os aplausos sincronizados, o cantar junto com a banda. Até a tentativa da banda de falar português, mesmo que meio atrapalhada, vira motivo de êxtase coletivo.

    O roqueiro é mesmo um ser estranho. Celebra a tristeza com sorriso, canta músicas melancólicas com alegria. Gasta fortunas para estar ali e, nos momentos mais intensos, fecha os olhos e se entrega à música.

    “Pessoa sem personalidade”, diriam. Todos rejeitam autoridade, mas vestem o mesmo uniforme. A camiseta da banda é um código silencioso de pertencimento. Diferente de um festival, onde a atenção se dispersa, num show solo a conexão é completa. Não importa se é o hit ou o lado B, cada canção é adorada com a mesma devoção.

    Vista de fora, a cena parece caótica: uma multidão apertada, disputando o melhor lugar. Para nós, a visão perfeita é a interna. É a imagem que se forma na mente, imersa na música. Inesquecível.


    02 de dezembro de 2005. São Paulo. Na plateia, um jovem entre tantos atingia níveis de satisfação incomparáveis, porque ser fã de rock é atividade superlativa. No palco, Pearl Jam.

  • Cuatro Caminos, Café Tacuba

    17/4/2005

    Uma banda de rock mexicana. À primeira vista, isso pode soar pouco atraente para parte do público. Um grupo que combina referências internacionais com sonoridades regionais. Para alguns, o interesse diminui ainda mais. E há também a dimensão social presente nas letras. Para completar, o grupo recebeu prêmios no Grammy Latino de 2004.

    Para quem associa rock a inglês, o disco começa a soar atraente quando se observa quem esteve por trás da produção do disco. Dave Fridmann, que já trabalhou com The Delgados, Flaming Lips, Mogwai e Mercury Rev, e Andrew Weiss, conhecido por colaborações com Ween e Rollins Band.

    A discografia do Café Tacuba inclui trabalhos como Reves/YoSoy, um álbum duplo em que uma parte é dedicada à experimentação sonora, e Avalancha de Éxitos, um disco de releituras de músicas tradicionais mexicanas. O grupo transita por vários estilos. Rock, punk e reggae convivem com orquestrações e elementos eletrônicos.

    Essa mistura aparece em Cuatro Caminos, seu álbum mais recente. O título sinaliza a diversidade de possibilidades estéticas e também reforça o olhar social do grupo. O nome faz referência a uma estação de metrô que conecta a Cidade do México às áreas periféricas. Há ainda um toque de excentricidade na atitude da banda. Rubén Albarrán, vocalista, assina o disco com o pseudônimo Elfego Buendía, alusão ao romance Cem Anos de Solidão.

    Entre as faixas mais fortes, destacam-se Soy o Estoy, Recuerdo Prestado, que remete ao The Clash, e Cambio y Vereda. O ponto alto do disco é a suave Eres.

  • Lost Dogs, Pearl Jam

    16/11/2004

    A compilação de lados B e raridades do Pearl Jam proporciona uma viagem pela história da banda através de rotas menos conhecidas. Músicas como ‘Yellow Ledbetter’ e ‘Let me Sleep’ já são clássicas, mas é em faixas como ‘Footsteps’ que a gente descobre a versatilidade do Pearl Jam. A letra da canção é simplesmente honesta. 

    A comparação com uma confissão divina, comentário sobre a voz de Vedder feito pela Rolling Stone na resenha do disco “No Code”, se encaixa aqui. O trecho ‘I did a what I had to do / If there was a reason, it was you’ resume a jornada de autoconhecimento e arrependimento que poucos artistas conseguem transmitir.

    Aliás, “Footsteps” encontra os primeiros passos da formação do Pearl Jam. A história do grupo se inicia com a criação de demos instrumentais por Stone Gossard, Mike McCready e Jeff Ament. Com a intenção de encontrar a voz que complementaria a sonoridade da banda, as demos foram distribuídas.

    Foi em San Diego que a fita chegou às mãos de Eddie Vedder. Ao ouvir as músicas, o músico escreveu letras que se encaixavam na parte instrumental. Impressionados com o resultado, Gossard e Ament convidaram Vedder para uma audição em Seattle. Entre as faixas gravadas estavam “Alive” e “Footsteps”.

    Lost Dogs, Pearl Jam
    Disco 1

    1. All Night
    2. Sad
    3. Down
    4. Hitchhiker
    5. Don’t Gimme No Lip
    6. Alone
    7. In the Moonlight
    8. Education
    9. Black, Red, Yellow
    10. U
    11. Leavin’ Here
    12. Gremmie Out of Control
    13. Whale Song
    14. Undone
    15. Hold On
    16. Yellow Ledbetter

    Disco 2
    1. Fatal
    2. Other Side
    3. Hard to Imagine
    4. Footsteps
    5. Wash
    6. Dead Man Walking
    7. Strangest Tribe
    8. Drifting
    9. Let Me Sleep
    10. Last Kiss
    11. Sweet Lew
    12. Dirty Frank
    13. Brother
    14. Bee Girl

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