Lançado em 13 de março de 1995, The Bends afirmou o Radiohead como uma das vozes mais relevantes do rock alternativo dos anos 1990. Segundo álbum da banda, o disco marcou uma guinada clara em relação à estreia Pablo Honey, ao aprofundar a complexidade lírica e investir em arranjos mais elaborados.
Produzido por John Leckie, com Nigel Godrich atuando na engenharia de som, The Bends foi gravado sob forte pressão. A gravadora esperava que o grupo repetisse o sucesso de “Creep”, enquanto a própria banda lidava com o desgaste da exposição precoce.
Lançado no auge do britpop, The Bends se distancia deliberadamente da cena dominante. Enquanto boa parte das bandas britânicas apostava em referências nostálgicas, o Radiohead construiu uma identidade própria, mais introspectiva e menos celebratória. O álbum sucede Pablo Honey e antecipa mudanças que seriam aprofundadas em OK Computer (1997), funcionando como etapa decisiva nesse processo de amadurecimento.
The Bends equilibra melancolia e tensão, como sinalizam os singles do disco. “High and Dry” articula melodia pop acessível com sensação de isolamento emocional. “Fake Plastic Trees” explora vulnerabilidade com contenção deliberada, enquanto “Just” e “My Iron Lung” articulam energia, dissonância e crítica. “Street Spirit (Fade Out)” encerra o álbum com tom quase fatalista, sustentado por repetição hipnótica e lirismo sombrio.


