2+2=5 [O show do Radiohead em São Paulo]

Contemplação, segundo o Houaiss, é a concentração prolongada da atenção e a reflexão profunda. A palavra cai bem para descrever a estreia do Radiohead em São Paulo, show que encerrou anos de espera e especulação sobre quando a banda finalmente tocaria por aqui.

O que se viu no palco foi uma banda confortável, sem pressa. Thom Yorke dançava com aqueles movimentos esquisitos de sempre, conversava com a plateia para escolher músicas do bis, apresentava os integrantes de forma casual — “This is Jonny… “. Nada muito elaborado, mas funcionou para quebrar a solenidade que costuma cercar shows desse porte.

Como Los Hermanos, que abriu o Just a Fest, o Radiohead dispensa hits de rádio para manter sua base de fãs. Clássicos como Just, Airbag e No Surprises ficaram de fora do repertório, mas havia material suficiente: There There, Karma Police, Paranoid Android, Fake Plastic Trees. Quase duas horas e meia alternando faixas mais intensas com momentos de respiro.

O detalhe foi o terceiro bis. Depois de dois retornos ao palco, quando tudo parecia resolvido, eles voltaram de novo. A plateia entendeu o recado: a banda também não queria que aquela noite terminasse.


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